Eles passaram a noite de núpcias num pequeno quarto alugado que Fernando vinha pagando há meses, fazendo horas extras na sua carpintaria, construindo móveis até altas horas da madrugada, até que suas mãos sangrassem de farpas e exaustão. Carmen engravidou seis meses depois do casamento. Ela se lembrava com perfeita clareza do dia em que deu a notícia a Fernando. Ele estava trabalhando em sua pequena oficina, lixando uma mesa de jantar que lhe haviam encomendado, quando Carmen chegou com a novidade.
Fernando largou as ferramentas. Pegou Carmen nos braços, girando-a como uma pluma, rindo e chorando ao mesmo tempo. Naquela noite, deitados em sua cama modesta, Fernando colocou a mão na barriga lisa de Carmen e falou com o filho que ainda não havia nascido. “Prometo que você nunca vai sentir falta de nada”, sussurrou Fernando para aquela barriga que começava a crescer. “Trabalharei dia e noite, se for preciso, mas darei a você tudo o que eu nunca tive.”